Correios de SC aderem à greve nacional e têm atendimento parcial nesta segunda
13/03/2018 11:24 em NOTÍCIAS

Os funcionários dos Correios de Santa Catarina estão aderindo à mobilização nacional que paralisa as atividades da empresa nesta segunda-feira.

A maior parte das agências está funcionando parcialmente, com alguns serviços suspensos e outros sem alteração. Uma assembleia na manhã desta terça-feira deve decidir pela continuidade ou não da greve no Estado.

Segundo Giovani Zoboli, secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares de Santa Catarina (Sintect SC), a maioria dos trabalhadores das regiões da Grande Florianópolis, Vale do Itajaí, Norte e Sul do Estado participa da mobilização. O serviço de encomendas em São José, por exemplo, foi totalmente paralisado. A região com menor adesão, e consequentemente com o maior número de agências operando normalmente, é o Oeste.

A principal pauta da mobilização é o plano de saúde dos funcionários. Conforme o Sintect, atualmente os funcionários têm o benefício no regime de coparticipação, pagando percentual de 10% a 20% quando algum serviço for utilizado. Entretanto, a empresa planeja começar a cobrar uma mensalidade sobre o serviço, além de excluir pais e mães da lista de dependentes.

 

Em Santa Catarina, segundo a assessoria de imprensa dos Correios, 91,2% do efetivo estadual trabalhou nesta segunda-feira – ou seja, 3427 empregados. Já o sindicato, calcula que 60% dos profissionais em SC trabalharam. 

Julgamento define continuidade da greve

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou na tarde desta segunda que a mudança proposta pela empresa é legal  e autorizou a cobrança da mensalidade dos funcionários. De acordo com a estimativa do Sintect, essa alteração pode custar de R$ 300 a R$ 400 para cada funcionário, o que supera o valor ganho de muitos funcionários após o reajuste de 2,07% do último acordo.

 A decisão mantém ainda o plano de saúde para todos os pais e mães até 2019 e determina a proporcionalidade de pagamento das despesas totais, sendo 30% para os empregados e 70% para os Correios;

 

Apesar de oficialmente a greve ter duração indeterminada, o dirigente sindical José Maria Pego admite, que diante da decisão do tribunal, devem encaminhar para o fim da paralisação. Mas o sindicato da categoria ainda vai esperar a posição da federação nacional dos trabalhadores e marcou uma assembleia para terça-feira, às 11h, para definir pela continuidade ou não. 

De acordo com a Sintect, a alteração no modelo dos planos de saúde poderia custar de 300 a 400 reais para cada funcionárioFoto: Betina Humeres / Diário Catarinense

Outras reivindicações

O Sintect justifica que tem outros motivos para ter começado a greve nesta segunda. Um deles é a necessidade de realizar um concurso público para preencher as 1.300 vagas que estariam sem funcionários no Estado. Segundo os dados do sindicato, atualmente há pouco mais de 3,6 mil pessoas que trabalham nos Correios em Santa Catarina, sendo que o número ideal seria próximo a 5 mil trabalhadores — número que era realidade em 2007.

— Estamos lutando para melhorar o atendimento ao público. Não conseguimos atender toda a demanda porque não contratam funcionários para realizarmos o trabalho de forma adequada. Queremos resolver esse problema — explica o secretário geral do sindicato da categoria, Giovani Zoboli.

A manutenção dos veículos da empresa, já que atualmente há carteiros que precisam dividir o veículo durante parte do horário de trabalho, é outro ponto na pauta da mobilização. Por fim, o sindicato ainda defende a não extinção do cargo do operador de triagem, que em algumas empresas privadas é realizado de forma automatizada.

Contraponto

Em nota, a empresa afirmou que para o presidente da estatal, Guilherme Campos, a decisão representa um grande avanço para a retomada do processo de recuperação da empresa, que enfrenta uma grave crise financeira. 

A empresa encaminhou uma nota antes da decisão. Veja abaixo:

 Mesmo reconhecendo que a greve é um direito do trabalhador, a empresa entende o movimento atual como injustificado e ilegal, pois não houve descumprimento de qualquer cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria.

O movimento está relacionado, essencialmente, às discussões sobre o custeio do plano de saúde da empresa, que atualmente contempla, além dos empregados, dependentes e cônjuges, também pais e mães dos titulares. O assunto foi discutido exaustivamente com as representações dos trabalhadores desde outubro de 2016, tanto no âmbito administrativo quanto em mediação pelo Tribunal Superior do Trabalho, que apresentou proposta aceita pelos Correios, mas recusada pelas representações dos trabalhadores. Após diversas tentativas de acordo sem sucesso, a empresa se viu obrigada a ingressar com pedido de julgamento no TST.

 

Para se ter uma ideia, hoje os custos do plano de saúde dos trabalhadores representam 10% do faturamento dos Correios, ou seja, uma despesa da ordem de R$ 1,8 bilhão ao ano.

FONTE:   Gabriel Lima    POR GABRIEL LIMA    FOTO: Betina Humeres / Diário Catarinense / Diário Catarinense

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