Criminosos usavam flechas para atirar celulares dentro do presídio de Blumenau
15/03/2018 08:56 em POLÍCIA

Novamente, detentos ordenavam crimes como tráfico de drogas, assassinatos e roubos nas ruas de Santa Catarina.

Eles estão em presídios do próprio Estado, São Paulo e Paraná e fazem parte de um total de 80 integrantes de uma facção paulista identificados pela Polícia Civil por uma série de crimes.

O balanço da Operação Norte Seguro, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), foi apresentado na tarde desta quarta-feira na Secretaria de Segurança Pública, em Florianópolis. Entre os 80 suspeitos, 55 deles se encontram em prisões onde usavam celulares ou contatos com visitas para se comunicar com comparsas do lado de fora.

A investigação começou na metade do ano passado pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Deic. Segundo a polícia, os alvos são integrantes da facção criminosa de São Paulo que busca a expansão em Santa Catarina. De acordo com o delegado Antônio Seixas Joca, responsável pela apuração, foram identificadas dezenas de líderes do bando que ordenavam delitos, sendo oito deles em presídios de São Paulo e Paraná.

– Identificamos tráfico de drogas, organização criminosa e há indícios de participação em homicídios e roubos – disse o delegado.

Entre os 80 envolvidos, 25 estavam nas ruas e dez foram presos na terça-feira em Florianópolis, Joinville e Navegantes. Pela manhã desta quarta, foram apreendidos 16 telefones celulares em celas da Penitenciária Industrial de Joinville. À tarde, a Deic prendeu uma mulher no Morro do Mosquito, na Capital. Nenhum dos presos teve a identidade divulgada. Eles também não foram apresentados à imprensa.

O que chama a atenção, segundo o delegado, é que entre os envolvidos há integrantes que já haviam sido indiciados pela Deic em outra operação de 2016 contra a facção de São Paulo.

A polícia batizou a operação de Norte Seguro porque os criminosos agiam principalmente no norte da Ilha de Santa Catarina, na Capital, e Norte do Estado. Ao longo do trabalho policial, 20 armas foram apreendidas e 20 pessoas foram presas em flagrante em razão do monitoramento.

“Frustração pelo envolvimento com facção”

As autoridades presentes na entrevista coletiva destacaram o monitoramento de presos em que os alvos se disseram frustrados por se envolverem com facções criminosas.

– Estão vendo que só levam cadeia, não conseguem vantagem pessoal e ainda estão sendo punidos criminalmente – ressaltou o diretor da Deic, delegado Anselmo Cruz.

Flechas são usadas para arremessos de celulares em prisão

Criminosos estão usando flechas para levar celulares ou outros produtos ilícitos para o interior da Penitenciária de Blumenau. A informação foi dada pelo secretário-adjunto de Justiça e Cidadania, Leandro Lima, como um fator de dificuldade na vigilância das unidades prisionais.

Drones clandestinos também foram identificados sobrevoando cadeias catarinenses, emendou o secretário. Sobre a entrada de telefones nas prisões, o secretário afirmou que o Estado optou por não adquirir bloqueadores de celulares em razão de uma lei que obriga as operadoras a instalarem os equipamentos.

A lei ainda depende de aprovação no Congresso Nacional. Lima disse que SC comprou escâneres corporais como medida de barrar o ingresso dos aparelhos. Em 12 unidades os equipamentos estão funcionando e outras três receberão nos próximos meses.

“Pontapé inicial cirúrgico”

Para o secretário de Segurança Pública, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, a operação foi cirúrgica e um pontapé inicial de desarticulação do grupo criminoso de SP.

– Importante porque chegamos nas lideranças, mas não está nada resolvido, temos muito trabalho. Ações mais fortes são necessárias. O importante também é que está havendo forte trabalho de inteligência e integração. A imagem que esses grupos criminosos estão tendo é que em Santa Catarina não dá para eles virem trabalhar e que aqui não se compra a polícia – ressaltou Alceu.

A entrevista coletiva também teve a participação do delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Ghizoni, e do diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Deiveison Quirino Batista.

Ainda há suspeitos que estão foragidos. O delegado-geral afirma que a Polícia Civil seguirá com as diligências, mas acredita que essas capturas também serão feitas a partir da Polícia Militar.

A Deic deve concluir o inquérito em 30 dias.

FOTO: DIVULGAÇÃO/POLÍCIA CIVIL

FONTE: POR DIOGO VARGAS DIOGO.VARGAS@SOMOSNSC.COM.BRFOTO

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