Milhares de luzes transformam casas de Blumenau em atrações turísticas
03/12/2018 17:18 em NOTÍCIAS

Residências no Progresso e na Itoupava Norte atraem pessoas pela decoração com lâmpadas feitas pelas próprias famílias.

É quase impossível não vê-las.

Estão no alto de morros, em pontos extremos de Blumenau. Se as curvas sinuosas da cidade fazem o suspense de escondê-las, as longas filas de carros apontam que você está no caminho certo. Seja no Progresso ou na Itoupava Norte, quando a noite cai, as famílias têm destino certo: conhecer as casas que encantam pela iluminação especial de Natal e pela dedicação pessoal de famílias que trabalham para manter vivas as tradições que aprenderam com os pais.

 

Na Rua Domingos Reichert, na região Sul da cidade, quem recepciona os visitantes não é bom velhinho. São as ajudantes do Papai Noel, Pietra e Bruna, de apenas cinco anos. Isso porque na casa mais iluminada do Progresso, o senhor de barba branca não está sempre presente. Afinal, ele precisa deixar tudo pronto para o dia 25. Logo, as meninas conduzem o passeio, que começa por uma espécie de túnel formado por lâmpadas. No alto do imóvel, mostram o presépio, as renas, a cadeira da figura mais esperada pelos pequenos em dezembro.

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(Foto: Patrick Rodrigues)

Quando você pensa que acabou, que é só sentar e apreciar, começam as histórias das luzes que tomam conta de cada cantinho do trecho encantando. Se os números ainda são um desafio para as ajudantes do Papai Noel, o “seu” Almir Arthur Boos, ajuda. Afinal, foi ele quem consertou a maioria das 100 mil pequenas luzes que atraem gente de todas as regiões de Blumenau.

É um trabalho árduo, tipo o do bom velhinho. Horas dedicadas a recolher as lâmpadas em casas onde tinham como destino o lixo, arrumou, isolou e, por fim, começou a instalar. Só no telhado da casa da mãe, são 6 mil, no corredor principal outras 9 mil.

Que é tarefa difícil, ele não nega. São dias dedicados inteiramente à preparação para o Natal. Mas tudo bem, a satisfação do brilho nos olhos de crianças e adultos recompensa. A superdecoração une as famílias, não se vê ninguém chegar sozinho, exatamente como sempre desejou e cultivou o pai de Almir. Ricardo Boos morreu quando ele tinha 15 anos, e deixou a ele uma herança.

– Quando a gente era criança, não tinha pisca-pisca ainda. Eram velas com um grampo. Para o meu pai, se não tivesse isso no pinheiro e na varanda não era Natal – recorda, emotivo, o eletricista.

 

Os “parabéns”, “ficou lindo”, “nossa” que vêm conforme as visitas passam pela rua mostram que todo o empenho vale a pena. A dedicação, aliás, não é só do Almir. Os vizinhos também se empenham na decoração. 

Seu Almir Boos, que decorou a casa no bairro Progresso.

Seu Almir Boos, que decorou a casa no bairro Progresso.(Foto: Patrick Rodrigues)

Enquanto os homens colocam os pisca-piscas, as mulheres saem em busca de balas para montar os pacotinhos que são entregues por Bruna e Pietra a quem chega. Até a conta de luz é compartilhada. Cada um que passa pela casa ajuda com pode e no final a festa de Natal se perpetua.

– Enquanto eu tiver saúde e a ajuda das pessoas, eu não vou parar – ressalta Boos, ao destacar que a decoração não seria possível sem o apoio de empresas e da comunidade.

Eletricista instala 750 mil lâmpadas em casa e nos arredores

Do outro lado da cidade, na Rua Antonina, na Itoupava Norte, quem se dedica a manter o espírito natalino é Martin Grodtski. O trabalho começou há 22 anos, ainda tímido, com 2,5 mil lâmpadas.

Foi a passos de formiguinha, sempre com o apoio da família. Primeiro na decoração do pinheiro dentro de casa, depois na instalação das primeiras luzes no entorno da janela e quando viu, já tinha ganhado a rua. Para onde quer que você olhe, as luzes estão lá e elas são milhares. Na conta do também eletricista, exatamente 750 mil lâmpadas.

Preparar a casa para a celebração do nascimento de Jesus Cristo é algo que Martin e os oito irmãos faziam quando pequenos junto com a mãe, que partiu cedo, quando ele tinha só 17 anos. Assim que casou, reproduziu aquilo que aprendeu: reunir todos em torno de um propósito, que hoje é levar a alegria do Natal ao máximo de pessoas.

 

O filho caçula é um entusiasta da iniciativa do pai. Tanto que neste ano deixou o campinho de futebol, xodó do garoto de 15 anos, se transformar em uma vila para o bom velhinho. Ele pensou em cada detalhe do espaço e agora traz os amigos para conhecer.

– Eles ficam me cobrando quando vão poder vir dormir aqui na casa iluminada, tem até que reservar – conta Jean.

Todas as noites, Martin, a esposa e os filhos ficam até tarde na rua para receber os visitantes. O eletricista conta que em certas noites dorme em média três horas, porque só entra em casa quando não há mais ninguém pra ver o espetáculo.

– Isso não me dá cansaço. O Natal é assim (fala apontando para as pessoas). É a família toda junta. Por isso o mais importante para a gente é recebê-los – afirma o eletricista.

Quem vai até a Rua Antonina compartilha da mesma opinião. O casal Leice e Sandro Menestrina não tem filhos, mas reservam um espaço na agenda para apreciar a iluminação e se inspirar na dedicação da família Grodtski. A visita ficou registrada em fotos, nas inúmeras selfies feitas por quem esteve lá. No presépio, na árvore, com o Papai Noel. As cenas são muitas, mas o sentimento é um só:

– É um tempo especial. Não tem quem não mude ao menos um pouco nessa época – acredita Leice.

FONTE:   Por Talita Catie talita.medeiros@somosnsc.com.br

FOTO:PATRICK RODRIGUES

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