'Pokémon GO' reúne mais de 20 mil pessoas em Porto Alegre para evento para caçar monstrinhos
29/01/2019 08:02 em NOTÍCIAS

Rafael Oliveira, que costuma participar de eventos de anime como cosplayer, estava de Ash e com o seu Pikachu.

Capital gaúcha foi a primeira cidade da América do Sul a receber o evento Zona Safári de Pokémon GO. Veja como foi.

 Mesmo o calor de mais de 34°C não afastou os milhares de jogadores que se reuniram em Porto Alegre entre os dias 25 e 27 de janeiro para caçar Pokémon.

 

A primeira edição da Zona Safári, o evento organizado pela companhia americana Niantic, reuniu mais de 20 mil jogadores de Pokémon GO, o jogo para celular que virou febre entre os fãs do desenho japonês.

Munidos de protetor solar, sombreiros, sombrinhas e guarda-chuvas, os jogadores se concentraram em três pontos: o Gasômetro, o Anfiteatro Pôr-do-Sol e o Parque Marinha do Brasil, em uma extensão de quatro quilômetros.

Para participar do evento, 125 mil pessoas se registraram para conseguir um ingresso, mas somente 25 mil delas foram sorteadas. De acordo com a produtora Niantic:

 

  • 15% dos ingressos ficaram para os jogadores de Porto Alegre
  • 25% para pessoas de outros países
  • 60% para o resto do Brasil

 

Luís e Marisa Salvo, de Buenos Aires, na Argentina, participaram pela primeira vez de um evento fora de seu país de origem. O casal começou a jogar no aplicativo para fazer exercício e caçar os monstrinhos japoneses. 

Jogadores desde o primeiro dia, Luís e Marisa vieram com camiseta temática para o evento — Foto: José Adorno/G1

Jogadores desde o primeiro dia, Luís e Marisa vieram com camiseta temática para o evento — Foto: José Adorno/G1 

Os argentinos e chilenos foram maioria dos estrangeiros no evento, e a Niantic disse que cerca de mil norte-americanos estiveram presentes. 

  O movimento atípico para a região do Gasômetro foi comemorado pelo vendedor ambulante Alexsandro, que vendia sombreiros a R$ 35.

 

 

Que Pokémon é esse? 

Jogador usa três smartphones para participar do evento de Pokémon GO — Foto: José Adorno/G1

Jogador usa três smartphones para participar do evento de Pokémon GO — Foto: José Adorno/G1 

  Para quem passava pela orla do Guaíba, poderia não entender o motivo da aglomeração de pessoas. Até mesmo quem abrisse o aplicativo, mas não tivesse um ingresso, também ficaria de fora da festa virtual.

Foi o caso do Pedro Lopes, de 10 anos. Os pais são de Esteio, Grande Porto Alegre, e ouviram na rádio sobre o evento, mas não se registraram para um ingresso. “Ele começou a jogar na semana passada. O jeito é levá-lo em algum parque”, conta o pai, Thiago Lopes.

Quem se comoveu com o menino ficar de fora da diversão foi o estudante de Engenharia, Brian Kisaki. Ele tem 20 anos e joga "Pokémon GO" desde o lançamento e administra um grupo de mais de 700 pessoas que caçam Pokémon no Parcão, o parque Moinho dos Ventos.

 

Brian se ofereceu para trocar alguns dos monstrinhos do evento com o Pedro, como o peixe Relicanth e o Unown, um Pokémon em formato das letras do alfabeto. Havia nove tipos dele, que formavam “PORTO ALEGRE”. 

Companheira do Ash no desenho, a estudante Eduarda Bittencourt se vestiu de Misty — Foto: José Adorno/G1

Companheira do Ash no desenho, a estudante Eduarda Bittencourt se vestiu de Misty — Foto: José Adorno/G1 

  Quem também ficou de fora foi o porto-alegrense Rafael Oliveira, de 23 anos, que estava no evento vestido de Ash, o personagem principal da franquia Pokémon, mas não se abalou.

Ele conta que ficou até tarde no trabalho e não conseguiu se inscrever no sorteio. “Vários amigos meus estão aqui e eles tão trocando todos os Pokémon do evento comigo”.

Um deles era o estudante Jonathan Lisboa, de 22 anos, que conseguiu ingresso para a sexta-feira (25), mas fez questão de ir todos os dias. “O evento está muito bom. Poder ver pessoas do Brasil e do mundo inteiro. É muito legal poder conhecer o pessoal da comunidade.”

 

Assim como Rafael, Jonathan estava com o seu parceiro Pokémon nas costas: um Charmeleon, que ele fez. Outra jogadora que decidiu homenagear a franquia foi a Eduarda Bittencourt, de 18 anos. Ela se vestiu de Misty e disse que parou de jogar seis meses depois que o jogo foi lançado, mas com as novidades deu uma chance de novo no final de 2018. 

O estudante Jonathan Ferreira com o seu parceiro Pokémon do jogo, Charmeleon — Foto: José Adorno/G1

O estudante Jonathan Ferreira com o seu parceiro Pokémon do jogo, Charmeleon — Foto: José Adorno/G1 

Cada ponto do evento estava preparado para receber por volta de 2.500 jogadores por dia. A Niantic diz que investiu US$ 300 mil (cerca de R$ 1 milhão) para o evento. Entre a estrutura e pessoal, tinham também 27 câmeras espalhadas pelos locais, segurança, ambulâncias, água de graça e brindes (um pôster, adesivos e código para resgatar itens no jogo). 

  De acordo com a desenvolvedora, eles esperavam que Porto Alegre recebesse um retorno financeiro de 10 a 15 vezes mais com turistas do que eles investiram no evento.

 

Solidariedade em jogo

 

 

Com o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), na última sexta-feira (25), a Niantic se juntou à prefeitura de Porto Alegre para receber doações aos atingidos pelo desastre. 

O jogador Luís Felipe dribla o verão da capital gaúcha com um sombrero e bastante protetor solar — Foto: José Adorno/G1

O jogador Luís Felipe dribla o verão da capital gaúcha com um sombrero e bastante protetor solar — Foto: José Adorno/G1 

  No final de semana, o evento de "Pokémon GO" foi responsável por 75% de todas as doações recebidas na capital gaúcha, em um total de 1.301 litros de água, 1.309 kg de alimentos, 1.375 itens de higiene pessoal, 103 itens de limpeza, 30 kg de ração para cães e 2.500 peças de roupas e calçados.

 

Com elogios dos jogadores e sem problemas nos três dias de festival, a intenção da Niantic é transformar a Zona Safári em evento fixo anual em Porto Alegre. O único pedido por parte dos participantes é escolher uma outra data: “tá muito quente, né? Não tem árvore para todo mundo”, disse o argentino Luís enquanto caçava Pokémon. 

Jogadores ganhavam itens no jogo para cada doação para Brumadinho — Foto:  Reprodução: Ana Krack/PMPA

Jogadores ganhavam itens no jogo para cada doação para Brumadinho — Foto: Reprodução: Ana Krack/PMPA 

FONTE:  Por José Adorno — Porto Alegre     FOTO: José Adorno/G1

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