Febratex abre as portas para a inovação da indústria têxtil
21/08/2018 10:37 em Novidades

Tarde de segunda-feira foi dedicada à finalização dos estandes dos expositores da feira .

Estandes montados, cartões de visita em mãos e vendedores a postos. Começa hoje em Blumenau a 16ª Feira Brasileira para a Indústria Têxtil (Febratex), um dos maiores eventos de negócios do segmento das Américas. Neste ano, serão cerca de 400 expositores e 2,5 mil marcas de máquinas e equipamentos vindos de mais de 60 países.

A exposição é tão grande que a organização precisou montar um pavilhão extra no pátio da Vila Germânica, que recebe o público até sábado. Todos os outros quatro setores também estarão preenchidos com o que há de mais novo e moderno em termos de gestão e produção para a indústria têxtil nacional, que está entre as cinco maiores do mundo nesse ramo.

Até o início desta semana, pelo menos 37 mil pessoas já haviam se credenciado para a Febratex antecipadamente pela internet. A despeito de a economia brasileira ainda não ter deslanchado como se esperava no início do ano, o clima é de otimismo – e ninguém diria o contrário às vésperas de uma feira desse porte, já consolidada no calendário têxtil brasileiro. Diretor-presidente da FCEM, empresa responsável pelo evento, Hélvio Roberto Pompeo Madeira avalia que o mercado vem tentando, na medida do possível, se descolar do cenário de turbulência pelo qual passa o país.

— Sabemos que está difícil, mas temos visto que aqueles que estão investindo em tecnologia estão se saindo melhor — observa.

A análise é semelhante entre empresários e lideranças representativas do segmento têxtil. O presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e região (Sintex), José Altino Comper, reforça que o ano está aquém do que se imaginava. Ainda assim, ele é um dos integrantes daquele time que enxerga oportunidades na crise, e se há algo que o setor têxtil demonstrou nas últimas décadas é a sua capacidade de resiliência diante de adversidades de toda sorte.

Neste sentido, avalia Comper, a Febratex acaba sendo uma grande vitrine de novidades tecnológicas que podem ajudar empresas a reduzirem custos, agilizar processos e tornar suas operações mais sustentáveis do ponto de vista ambiental, algo que é cada vez mais levado em conta por quem consome os produtos na ponta.

— A feira tem muito a ver com futuro. Não podemos trabalhar pensando lá na frente se estamos olhando o momento atual achando que vai ser igual — pondera o empresário.

Importância do evento

Segundo Pompeo, a feira movimentou R$ 1,3 bilhão na edição passada, investimentos que acabam sendo pulverizados por várias regiões, já que a Febratex recebe compradores de todo o Brasil e também de países latinos. A quantia considera negócios feitos durante o evento e outros que foram fechados no médio e longo prazos a partir de conversas e prospecções feitas no estande. A conta é gorda porque muitos dos equipamentos e máquinas são bastante caros e comercializados em moedas estrangeiras como dólar e euro, mais valorizadas que o real.

Manter cifras desse nível em 2018 já seria um grande negócio, mas em uma feira como a Febratex não é apenas o resultado comercial que conta, considera Ulrich Kuhn, ex-presidente do Sintex por mais de 30 anos e anos e atual vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) para o Vale do Itajaí. Para ele, eventos como esse são relevantes independentemente do cenário econômico porque estimulam investimentos grandes, estratégicos e de longo prazo. Na prática, o mau humor do mercado afeta menos esse tipo de planejamento.

— Isso (a economia fraca) não altera o fato de que o empresário tem que se manter atualizado e ver o que existe de novo no mercado — argumenta.

Indústria 4.0 em destaque

A Febratex também evidenciará aspectos da Indústria 4.0, também chamada de quarta revolução industrial. Trata-se de um conceito de automação e conexão total entre máquinas e processos com geração de informações em tempo real. Isso já é realidade em várias fábricas dos Estados Unidos e da Europa, mas é algo que ainda engatinha por aqui.

— A feira vai mostrar e lembrar que a Indústria 4.0 está aí, que há evolução tecnológica da comunicação, que existe a internet das coisas. E uma grande parte da indústria têxtil ainda não se compenetrou que as coisas estão mudando — adverte Ulrich.

 

Além de novidades em máquinas e equipamentos para corte e costura, bordado, estamparia e insumos para tinturaria, a Febratex também terá um fórum com palestras diárias que abordarão desafios para o setor têxtil e de confecção.

FONTE:   POR PEDRO MACHADO  FOTO:Patrick Rodrigues

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