Blumenau protela medidas restritivas na segunda onda do coronavírus
03/11/2020 09:48 em SAÚDE

Média diária de novos casos voltou a ultrapassar a casa de 150 na segunda-feira .

Blumenau está sendo menos prudente na implementação de medidas contra o coronavírus agora do que havia sido no primeiro pico de transmissão, entre junho e julho. Quatro meses atrás, antes mesmo da cidade atingir o atual patamar de casos e internações, já estavam em vigor decretos que limitavam a concentração de pessoas em parques, supermercados, bares, restaurantes e ônibus.

À época, especialistas e gestores hospitalares consideravam aquelas medidas brandas e tardias — a disparada no número de internações e mortes, nas semanas seguintes, provaria que estavam certos.

Agora, a duas semanas das eleições municipais, não há qualquer sinal de medida restritiva. Pelo contrário. A administração municipal tem deixado claro que, se elas vierem, serão de responsabilidade do governo estadual. Não parece ser esse o plano da governadora Daniela Reinehr.

 

Diferenças no combate à pandemia em Blumenau

 

 

Na primeira onda de Covid-19, prefeitura implementou restrições mais cedo

Outra diferença em relação a junho/julho é a liberação do funcionamento de setores como casas noturnas e eventos. Escolas retomam as atividades gradativamente. Ainda há as campanhas eleitorais nas ruas e os feriadões, em que milhares de blumenauenses deslocaram-se para o litoral — onde o quadro é ainda pior. Tudo conspira a favor do vírus.

Atraso na reação

 

Nesta segunda (2), a média móvel diária de casos (contando os últimos sete dias) em Blumenau era de 153, com 24 pessoas internadas em UTIs dos hospitais.

No dia 26 de junho, quando as primeiras medidas restritivas foram anunciadas pelo município, eram 86 casos por dia e 13 internações em UTI. Naquela data, somente uma pessoa por família podia entrar nos supermercados, os parques foram fechados e a prefeitura instituiu horários para fechar bares (22h) e restaurantes (23h). Idosos foram proibidos de usar ônibus. O presidente da Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Ammvi) defendia que as cidades da região tomassem medidas em conjunto.

No dia 9 de julho, eram 139 casos novos por dia na média móvel em Blumenau — patamar semelhante ao deste início de novembro. Porém, a situação nas unidades de tratamento intensivo já era mais tensa: 39 internados. Naquele dia, o prefeito Mário Hildebrandt ameçou decretar um lockdown caso a situação não melhorasse.

Os ônibus parariam de circular no dia 14 de julho, mesma data em que missas e cultos religiosos foram proibidos. Uma semana mais tarde, veio a decisão de fechar o comércio, bares e restaurantes. Somente no dia 30 de julho o efeito das restrições começou a ser observado no gráfico.

 

O resultado daquele primeiro período de alto contágio pode ser observado no número de mortos. Em 26 de junho, eram sete. Dois meses depois, Blumenau somava 118. Até este início de novembro, são 161 vítimas na cidade.

Letalidade

Desde que os “leitos de guerra” perderam esse apelido nos discursos oficiais e passaram a ser incluídos na soma de unidades disponíveis, a prefeitura contabiliza 94 unidades nos hospitais Santa Isabel, Santo Antônio e Santa Catarina — até agosto eram 63. Por isso, o percentual de ocupação oficial é de 26%.

Quase a metade dos pacientes de Covid-19 internados em UTI deixam os leitos direto para um caixão funerário. Esse é um dado que precisa ser lembrado sempre que alguém apontar “a situação tranquila” das unidades de tratamento intensivo. São 24 blumenauenses internados. Faça as contas, caro leitor.

No cotidiano dos hospitais, uma nova disparada de internações é vista com extrema preocupação. Profissionais já exauridos por meses de tensão a fio precisarão suportar escalas extenuantes e, novamente, o risco de contaminação — deles e de familiares.

Neste momento, a pressão das urnas parece pesar mais que a do vírus sobre as vidas blumenauenses.

FONTE: nsc POR EVANDRO DE ASSIS

FOTO:PATRICK RODRIGUES/BD

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